terça-feira, 6 de novembro de 2012

Estupidamente morta

Tive medo de não mais ouvi-la cantarolando e de não sentir mais o impulso dos seus pés tocando, aleatoriamente, o chão. Ter que destruir uma felicidade assim nunca foi prazeroso e fácil. Afoguei, então, os meus olhos para que a falta de ar me fizesse encontrar uma teoria que funcionasse na prática. Disponibilizei tanta água que acabei me afogando... me afundando, abaixando, perdendo. Sumindo, cheguei ao chão. Ou ao abismo. Tudo foi em vão: estava, agora, sem oxigênio, sem teorias, e, principalmente, sem prática. Ela continuava a sambar... E que Deus me tenha.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

180º

Quero uma referência na tua rosa-dos-ventos. Já que não consegui, ou pelo menos cheguei perto de ser o teu norte, quero apenas uma posição que eu consiga conforto e paz.
Caminhando para o teu norte, achava tudo isso... olhos coloridos de emoção, calor no abraço, brigas de dedo e toques nos lábios. Coisas tão abstratas que marcaram mais do que coisas concretas, como arranhões de barba mal feita.

Mas eu te imploro pelo último pedido: seja no norte ou no sul, arranje um lugar para mim... porque eu tô escorregando entre o sul e o sudeste, sem saber se é aqui mesmo que eu devo ficar. Respirando ar gelado, me arrepiando pelos piores motivos possíveis e vendo tudo distante de mim, inclusive a felicidade. Eu sei que dá pra acostumar. É só você apontar para um lado e tudo se resolve... toma uma posição de me dá uma. Norte, sul, leste ou oeste: me faça pelo menos estar ligada a você.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sorte


Todos nós nascemos em busca da felicidade. Seguindo meu exemplo, posso perceber o quanto isso é natural e desejado. A gente chega num ponto da vida em que a corrida fica cada vez mais esquecida, e a gente deixa pra lá um pouquinho desse sentimento de perseguição. É aí que a gente pára pra sentir cada pedacinho da estrada. Às vezes, no caminho, enfrentamos tempestades. Às vezes, tropeçamos em alguma pedra. Mas a queda traz recompensas quando conseguimos nos reerguer e sentir a brisa bater no rosto, levando para trás as dores de nossas quedas, e o frio de todas as tempestades.

Acredito que minha sorte tenha sido perceber isso, há, exatamente, 1 ano e dois meses. Tenho encontrado muitas tempestades, que se dissolveram diante de tanta alegria que eu ganhei. E as quedas, hoje em dia, me nivelam à uma bênção tão pequenininha, que nem sabe ao certo quem é, e a inocência de seu sorriso me faz esquecer de algum arranhão possível. Ao me levantar dessa queda, encontro uma mão que levanta meu rosto, e faz seus olhos encontrarem os meus, deixando fácil perceber que alguém estava me fitando com olhos de amor o tempo todo. E, então, me pergunto: "de que me adiantou chorar por todo esse caminho, se encontraria um sorriso e uma mão tão importantes um dia?"... aguardo a resposta da vida. Assim como aguardo a minha felicidade...

Mas, de uma coisa eu estou certa: se nada vir um dia, é porque já fui contemplada. E, desde já, agradeço todos os dias.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Vírgulas e reticências


Previsões, horóscopos e combinações. Tudo estava escrito... tudo estava certo que eu teria e viveria presa à essa condição.

Me sentia forte. O tempo me fortaleceu. A distância mais ainda. Nada daquilo aconteceria de novo - estava certa. Mas todo o tempo e toda distância se tornaram pequeno diante de dias, que foram alterados e diminuídos para poucos segundos, através da evolução tecnológica.

Eu sei que nada seria igual ao que era antes. Resolvi apelar para a esperança... e dentro de mil chances que ainda terei na vida, entrei numa apelação em vão.

Essa sou eu, então, fingindo não doer... encontrando sentimentos, como a esperança, e me apegando a cada um deles. Me apoiando em pessoas, e, involuntariamente, me perdendo em você...